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A Teologia do cachorro e do gato

Este é o título de um livro, de Bob Sjogren e Gerald Robison, publicado no Brasil pela Missão Horizontes. Estranho, não é?

A Teologia do Cachorro e do Gato; não parece ser obra séria, pelo título. Mas é. É seriíssima. Os autores começam com uma anedota sobre cachorros e gatos.

O CACHORRO DIZ: VOCÊ ME ACARICIA,ME ALIMENTA, ME ABRIGA, ME AMA. VOCÊ DEVE SER DEUS.

O GATO DIZ: VOCÊ ME ACARICIA, VOCÊ ME ALIMENTA, ME ABRIGA, ME AMA, EU DEVO SER DEUS.

A partir daqui os dois mostram as diferenças entre cristão tipo cachorro e cristãos tipo gato.

O cachorro segue por amor, é dedicado, engaja-se, envolve a vida, entrega-se.

O gato quer as coisas boas, mas sem compromisso. Quer promessas, cuidados, atenção de Deus, da igreja, do pastor. Não se preocupa em ser útil, um instrumento nas mãos de Deus. Seu universo é ele mesmo. Algo interessante que dizem os autores e, acredito ser verdade, que os cachorros têm donos e os gatos têm funcionários.

Uma das boas observações do livro é no tocante ao senhorio de Deus na vida do Cristão. O cachorro tem Deus como seu Senhor em qualquer circunstância. O gato tem Deus como seu Senhor enquanto receber bênçãos. Quando as coisas apertam, quantos Cristãos gatos somem da igreja! E, sem hesitar, se houver mais vantagem do outro lado, o Cristão gato terá novo senhor. Se o mundo oferecer mais ou apresentar uma proposta de mais felicidade (é tudo que os gatos buscam ser abençoados e ser felizes) o evangelho será deixado e a igreja abandonada.

Jesus parece ter se dirigido certa vez a uma multidão de seguidores tipo gato: A verdade é que vocês estão me procurando, não porque viram os sinais miraculosos, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos (Jo 6.26). A multidão não se importava com as obras de Jesus. Queria barriga cheia.

Pena que ainda haja gente assim, que estabelece seu relacionamento com Deus na base das coisas que pode ganhar, não por amor a Deus e à verdade! Por favor, lembre que os gatos, ou pessoas que crêem nessa teologia, nunca dizem: Eu devo ser Deus. Eles sabem que isso soaria política e biblicamente incorreto. Isso acontece porque, enquanto os gatos nunca dizem: Eu devo ser Deus, eles falam: Tudo está voltado para mim, ou tudo se resume a nós! Deus fez tudo isso por nós! A vida existe para nós! Eu não devo ser apenas a razão pela qual Deus morreu, mas também a razão pela qual ele vive!.

O cachorro é mais dependente do dono que o gato. Isso vale em relação ao suprimento de comida, o passeio matinal, e para praticamente tudo. Pensando nessas coisas, me vem a pergunta: Como eu estou agindo? Minha atitude em relação a Deus é de dependência e expectativa ou de independência e orgulho?

Platão, filósofo grego, disse, certa vez: Odiamos a injustiça não por amor à justiça, mas com medo de que a injustiça caia sobre nós. O que ele quis dizer é que muitos dos nossos sentimentos e ações não são motivados por amor à verdade, mas por interesse.

Uma vida cristã equilibrada e sadia não se pauta por interesse. O fundamento deve ser o amor. Deus deve ser buscado não pelo que nos pode dar (Ele já nos deu, e muito!), mas por aquilo que Ele é. Jesus Cristo deve ser seguido não como se fosse um gênio da lâmpada que esfregamos e Ele está pronto para satisfazer nossos desejos. Mas porque é Jesus Cristo, o único, o incomparável, nosso mestre, nosso guia, nosso intercessor. Nossa esperança e Senhor, com uma proposta de vida que ninguém iguala, e dentro da qual nos realizamos por ser a vontade de Deus para nós.

Gato é charmoso. Chamar alguém de gato é um elogio. E de cachorro, uma ofensa. Dizer que alguém fez uma cachorrada conosco não é elogiar o alguém. Mas em matéria de teologia, como dizem os autores do livro citado, a melhor é a do cachorro. É sadia. A do gato é desfocada e mesquinha. Neste sentido, seja um cachorro. Os gatos atrapalham a igreja.
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Abraços,
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@ElielFerreira

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