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Deus permite o sofrimento dos justos!


É na história de Jó que aprendemos que Deus permite que pessoas boas passem pela experiência do sofrimento. Sofrimento é coisa humana. Nem sempre vem como punição e nos atinge independente de nossa integridade.

Quem foi Jó? Jó é descrito como “um homem íntegro e justo; temia a Deus e evitava fazer o mal". O caráter de Jó é muito atraente e agradável ao próprio Deus. Deus testifica enfaticamente que não havia “ninguém na terra como ele, irrepreensível, íntegro, homem que teme a Deus e evita o mal”. A caráter de Jó tinha três aspectos:




Era “integro e justo”: Jó reivindicou ser perfeito e se apegou a sua integridade. Sua integridade era reconhecida por sua mulher e admirada por Javé. Jó era um produto acabado, bem feito e harmonioso.

Era devoto: Temia a Deus como Abraão. Era perfeito em sua dedicação à pessoa e exigências de Deus.

Era moralmente bom: Jó “rejeitava fazer o mal”. A conduta nobre de Jó é apresentada a medida que a história progride. A descrição de seu caráter irrepreensível chega ao seu clímax no seu testemunho final. Jó insiste que suas boas obras são conhecidas publicamente e nega quaisquer falhas sérias. Era irrepreensível diante dos homens e de Deus. Em resumo: A vida de Jó é um exemplo de integridade, devoção e piedade sem precedentes.

É comum recebermos interpretações do nosso sofrimento apresentando a justificativa de que o sofrimento e as nossas reações são de alguém que não conhece e nem confia em Deus. Mas percebemos que Deus permite o sofrimento na vida do íntegro Jó. Deus permite que o sofrimento aconteça na vida de pessoas boas. Deus permitiu que pessoas boas sofressem imerecidamente.

A Bíblia também está encharcada de personagens que sofreram por serem justos. Ao ler as Escrituras Sagradas me deparo com José, resistindo à tentação da mulher de Potifar, e como conseqüência é levado preso por calúnia e injustiça. Vi o povo de Deus sofrendo no Egito e no deserto. Como é possível o povo escolhido de Deus sofrer tantos infortúnios? Vi a fidelidade de Sadraque, Mesaque e Abdnego os levarem para a fornalha de Nabucodonosor, assim como as orações de Daniel o levaram para a cova dos leões. Senti o desespero solitário e doloroso dos salmistas. Li a história sangrenta dos profetas de Deus. Na agonia da crucificação de Jesus, escuto seus gritos de desabafo de dor e de abandono. Aprendo que quem deseja ter a ousadia da igreja primitiva e a coragem de Paulo em levar o evangelho até os confins da terra, assim como eles, sofrerá perseguições. Vejo uma lista de mártires em Hebreus 11 e na história da igreja no primeiro século que “foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar um ressurreição superior, outros enfrentaram zombaria e açoites; outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos à prova, mortos à fio da espada. Andaram errantes, vestidos, afligidos e maltratados. O mundo não era digno deles. Vagaram pelos desertos e montes, pelas cavernas e grutas”. Tudo isso, porque confessavam sua fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

Diante disso, podemos concluir com duas implicações práticas para entendermos como fica o relacionamento com Deus quando pessoas boas sofrem.

Nem sempre as perdas da vida são sinais de castigo – Podemos perceber que Deus não permitiu o sofrimento para castigar Jó. Na verdade, o livro de Jó desconstrói a lógica: bênçãos para os obedientes e bons e castigo para os maldosos e rebeldes. Isso significa que nem sempre quem sofre perdas na vida está sendo castigado por Deus.


Nem sempre as posses da vida são sinais da presença de Deus – Muitos de nós somos treinados a pensar que quem está experimentando prosperidade está desfrutando da presença de Deus. E quem sofre perdas, significa que Deus está longe e distante. Quem pensa assim, pensa como se Deus tivesse ido embora quando perdemos nossas posses, como se Deus fosse reduzido a ser nossos bens materiais. Por isso que o Reverendo Ricardo Barbosa diz: “Para muitos cristãos, o centro em torno do qual giram suas vidas não é Deus e a vontade divina, mas é seu trabalho, posição social, família, estabilidade econômica, realização profissional, etc. Quando uma ou mais destas coisas são abaladas, ou mesmo arrancadas de nós, seja a estabilidade econômica ou familiar, frequentemente perguntamos: “Onde está Deus?” Como se Deus tivesse ido embora quando se perdem bens de grande valor. A estabilidade, os bens ou mesmo a profissão transformam-se facilmente em nossos ídolos, e Deus não passa de uma força que opera na preservação daquilo que de fato não sustenta nossa crença.”

Assim, quando pessoas boas sofrerem freie sua língua para não lançar condenação sobre os que sofrem baseada na lógica de causa-efeito de nossa justiça. Nem sempre quem está sofrendo está sendo castigado. E nem sempre que sofre perdas na vida está sendo abandonado por Deus. Isso evita enclausurar Deus dentro de nossas ideias religiosas.

Reflita sobre isso hoje.

Abraços e uma ótima semana;

@elielferreira

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